CENOGRAFIAS, Julho 2004

Faz hoje, 10 de Julho de 2014, exactamente 10 anos sobre uns dos projectos que lançou definitivamente o Quarteirão das Artes em Montemor-o-Velho: o projecto "Cenografias", desenvolvido numa parceria entre a Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac e a Cooperativa Teatro dos Castelos.
Curiosamente, este projecto foi igualmente o motor para o lançamento definitivo da referida associação, associação na qual, no ano seguinte, surgiria o festival Fonlad.

"A exposição Cenografias é o grande evento deste primeiro ano da Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac, que, ainda recém formada, está a dar os seus primeiros passos" (António Azenha - Presidente da Direcção da AAA Arca-Euac, in Nota Introdutória, Cenografias, Edição AAA Arca-Euac, pag. 3,  Julho 2004).

"De protocolo com a Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac, da vontade criativa e entrega de treze artistas e outros amigos, nasceram no Verão de 2004 estas Cenografias. A atitude estética preenche-se de contributo cívico - participar na reinvenção de uma vila abandonada, viver com outros um ideia generosa, festejar. Terra. Cultura. Afecto" (Júlio Sousa Gomes - Presidente da Direcção da Cooperativa teatro dos Castelos, ibidem, pag. 7).



"Convidada pela Cooperativa Teatro dos Castelos, a Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac, propôs-se realizar durante os meses de Maio, Junho e Julho um conjunto de Encontros com o objectivo de estimular a experimentação e a criação, numa perspectiva integradora e de relacionamento com o espaço em que decorreriam os mesmos. A experiência revelou-se frutífera, tendo os participantes, após uma fase de adaptação e de conhecimento prévio, conseguido encontrar um link comum entre si. O mote partiu do estabelecimento de uma relação entre as potencialidades de cada um dos artistas e o imaginário sugerido em cada um pelo próprio espaço.
A profusão labiríntica de casas velhas e abandonadas, becos estreitos, patamares e pequenos jardins, inspiraram cada um dos intervenientes a desenvolver um projecto próprio, mas integrado, numa ideia abraçada por todo o grupo: criação de um mundo que se revelava ali oculto, invisível aos olhos de quantos anteriormente visitaram o local.
Variadas formas tomaram então lugar, desde a construção de várias peças em pasta de papel e arame, a criação de figurinos para uma performance, a produção e projecção de slides, a construção de uma nave espacial, partindo de dois chapéus de sol abandonados, a edificação de uma torre multicolorida construída a partir de caixas de fruta, que se eleva em direcção aos céus igual metáfora de Babel?-, uma árvore cujos ramos apresentam, na extremidade, como frutos, enxadas, alfaias e machados  numa alusão ao fruto proibido (tendo colhido a maçã, Adão viu-se obrigado a trabalhar para comer) e uma homenagem à principal actividade da região de Montemor-o-Velho; a agricultura -, um mural pintado com cal e carvão, uma boneca de palha num baloiço (metáfora ao espantalho que, neste caso, em vez de procurar afastar pássaros ou qualquer outra entidade, surge como polo de atracção de todos os habitantes invisíveis do local).

A memória, o tempo, o crescimento são alguns dos conceitos em jogo, num espaço em transformação que cresce em comunhão com as obras nele criadas" (José Vieira, artista e comissário, ibidem, pag. 9).

Vídeo registando a montagem, de Carlos Osório


CENOGRAFIAS
Quarteirão das Artes, Montemor-o-Velho
10 Julho a 31 Agosto 2004
http://www.josevieira.net/expos/2004/cenografias.html


João Antunes, 2004

 João Antunes, 2004

 José Vieira, 2004

 Carlos Resende, 2004

Paulo Corte real, 2004

 
Andrea Inocêncio, Joana Sobreano, Paula Barreto, 2004

Rui Rodrigues, 2004

António Azenha, 2004

 Antonino Neves, 2004

Quelhas Vieira, 2004

Anabel Cuevas Jurado, 2004

 Rocio Aguilar Nuevo, 2003

  
Mar Aguilar, 2003

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