domingo, 19 de outubro de 2014

ESPAÇO ARTES MULTIMÉDIA E PERFORMANCE


Em 19 de Outubro de 2012 inaugurava o Espaço de Artes Multimédia e Performance, criado através de um protocolo de parceria entre as Associações IC Zero, Projecto Videolab e Alliance Française de Coimbra. Com o projecto pretendia-se a criação de um centro vocacionado para a reflexão, discussão e aprendizagem das novas tecnologias artísticas (artes digitais, fotografia, vídeo, performance, etc) e a sua apresentação informal; um espaço ligado à reflexão, produção e mostragem de produtos digitais e performativos, enraizados na arte contemporânea.

Com a duração de 1 ano, realizaram-se no EAMP 28 actividades; 10 exposições, 10 na área do vídeo / multimédia, 4 na área da formação e 4 performances.
Ao nível dos públicos envolvidos, os números esperados foram francamente ultrapassados, criando-se mesmo alguma fidelização a partir de Janeiro, centrando-se mais ou menos nos 40 participantes por evento. Em termos gerais participaram cerca de 200 artistas, 800 pessoas como público e cerca de 30 em actividades de formação.

Entre as várias actividades ali realizadas, destaco em primeiro lugar, e pelo seu grau experimental, muito dentro do espírito daquilo que a arte digital pode e deve ser, a performance "Ex-key Action" de António Azenha e Francesca Fini, integrada no Line Up Action 2012 - Extension #03, apresentada no EAMP a 24 Novembro 2012.
EX-KEY ACTION é uma uma performance construída por duas pessoas que se encontram espelhadas no mundo físico através da fantasmagoria do mundo virtual. Os dois artistas agem no seu tempo e espaço, interagindo com cada uma das projeções em simultâneo, criando assim um trabalho material: duas metades espelhadas que depois serão reunidas?
A interacção das duas performances terá um intervalo de alguns minutos, o atraso inevitável da transmissão, de modo que é como se os dois artistas vivessem em duas dimensões paralelas. Duas dimensões que se cruzam graças a uma providencial fratura cósmica na construção perfeita do espaço e do tempo, enquanto o avião da virtualidade e da realidade se misturam, se misturam e se sobrepõem, ao ponto em que não se será mais capaz de entender se primeiro nasceu a galinha ou o ovo.
(in folheto Line Up Action 2012 - Extension #03).

"EX-KEY ACTION", performance de António Azenha e Francesca Fini

A realização do festival FONLAD naquele espaço foi outra das mais valias centrada em dois grandes momentos: as performances "Golden Age" de Francesca Fini (em 27 Abril 2013) e Essere Aria com Lynn vargas e Mario Gutiérrez Cru (a 11 de Maio 2013). A ambiência registada nestes eventos é bem retratada na crónica de um espectador que a descreve como uma "noite de máscaras e silêncios".

 Francesca Fini                                                                        Essere Aria

Para além das actividades centradas na performance e no multimédia, devo também realçar duas exposições que pela sua qualidade e sucesso de público, muito contribuiram para afirmar o projecto na cidade de Coimbra: "Toys Re-Play" de António Azenha (Janeiro / Fevereiro 2013) e "We Are Familly" (Fevereiro / Março 2013) de Jorge Simões.

António Azenha                                                                  Jorge Simões

ESPAÇO ARTES MULTIMÉDIA E PERFORMANCE
19 Outubro 2012 a 29 Setembro 2013

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

FONLAD - 10 ANOS EM PROMOÇÃO DA ARTE DIGITAL


O Festival Fonlad surgiu em 2005 como um projecto artístico. Este projecto vinha na linha de uma série de projectos de colaboração que venho desenvolvendo desde 2005 (dos quais Fonlad é precisamente o primeiro).
Outros projectos na mesma linha são as exposições temporárias do UAVM – Museu Virtual do Artista Desconhecido, 2008 <www.uavm.net>, o Fake Festival, 2011 a Non Bienalle, 2012/14 ou a Web Video Biennial, 2014.
Todos estes projectos assumem-se como Web Art Colaboration Projects, modelo que se identifica com as mais puras formas da arte digital; ou seja, são especificamente construídas para modelos digitais, nomeadamente para a internet, e fundamentam-se na participação de outros artistas na construção do projecto.
O Festival Fonlad na sua essência é um projecto artístico que assenta na colaboração entre artistas – que disponibilizam a sua obra a ser integrada no projecto – e entre festivais – que disponibilizam as obras dos seus artistas a integrarem o projecto.
Enquanto projecto artístico – construído em parceria com outros artistas – promove e divulga os trabalhos dos artistas participantes. Uma espécie de mosaico de monitores à Nam June Paik onde em cada monitor se apresenta uma obra diferente.
Neste contexto o trabalho do artista é o de uma espécie de mestre de orquestra, que faz tocar cada instrumento no momento preciso, compondo a obra global. O seu trabalho pode ser confundido com o de comissário, mas a substância é bem diferente, pois aquilo que se pretende obter não é um simples festival ou exposição, mas a construção partilhada de um projecto artístico. 
Durante as primeiras edições, o projecto foi construído essencialmente para a internet, com pequenos apontamentos fora dela: em 2005 uma mostra de vídeo num espaço em Madrid, em 2006, 2007 e 2008 uma exposição num espaço alternativo.
Em 2009 iniciam-se as colaborações com outros festivais. Aqui o nível de colaboração intensifica-se e cresce exponencialmente. Em certa medida perde a essência de obra de arte passando a assumir-se mais como festival que como obra de arte. O crescente nº de participantes leva à criação de uma equipa curatorial para seleccionar os trabalhos, envolvendo curadores de outros festivais parceiros.
A partir de 2009 multiplicam-se os eventos passando estes a ultrapassar em numero os realizados com a comunidade virtual. No entanto, em termos de participação de públicos, o virtual ultrapassa em mais de 90% o nº de públicos das mostras e das exposições.
Ou seja, apesar do aumento do numero de actividades no espaço público fora da internet, é precisamente neste meio que o festival continua a ter mais impacto, precisamente pela sua essência, que nunca abandonou, e na qual toda a sua estrutura e iniciativa é apoiada.
É precisamente a partir de 2009 que o festival passa a integrar outras áreas de intervenção, como residências artísticas, workshops, palestras e conferências, instalações, evoluindo para o modelo actual centrado na video arte e na performance.

 Fonlad #02, Fundação Bissaya Barreto, Coimbra

Fonlad #05, MIDAC, Belforte del Chienti, Itália
1 - 30 Agosto 2009

Fonlad #05 - Digital Landscapes, TMG, Guarda
 14 Nov. 2009 a 3 Jan. 2010

Fonlad #08 - Videomapping Coimbra 2012
 Circulo Cultura Portuguesa - Convento Stª Clara a nova, Coimbra
22 Junho 2012

Fonlad #10 - Essere Aria, Of. Municipal do Teatro
12 Julho 2014