domingo, 19 de outubro de 2014

ESPAÇO ARTES MULTIMÉDIA E PERFORMANCE


Em 19 de Outubro de 2012 inaugurava o Espaço de Artes Multimédia e Performance, criado através de um protocolo de parceria entre as Associações IC Zero, Projecto Videolab e Alliance Française de Coimbra. Com o projecto pretendia-se a criação de um centro vocacionado para a reflexão, discussão e aprendizagem das novas tecnologias artísticas (artes digitais, fotografia, vídeo, performance, etc) e a sua apresentação informal; um espaço ligado à reflexão, produção e mostragem de produtos digitais e performativos, enraizados na arte contemporânea.

Com a duração de 1 ano, realizaram-se no EAMP 28 actividades; 10 exposições, 10 na área do vídeo / multimédia, 4 na área da formação e 4 performances.
Ao nível dos públicos envolvidos, os números esperados foram francamente ultrapassados, criando-se mesmo alguma fidelização a partir de Janeiro, centrando-se mais ou menos nos 40 participantes por evento. Em termos gerais participaram cerca de 200 artistas, 800 pessoas como público e cerca de 30 em actividades de formação.

Entre as várias actividades ali realizadas, destaco em primeiro lugar, e pelo seu grau experimental, muito dentro do espírito daquilo que a arte digital pode e deve ser, a performance "Ex-key Action" de António Azenha e Francesca Fini, integrada no Line Up Action 2012 - Extension #03, apresentada no EAMP a 24 Novembro 2012.
EX-KEY ACTION é uma uma performance construída por duas pessoas que se encontram espelhadas no mundo físico através da fantasmagoria do mundo virtual. Os dois artistas agem no seu tempo e espaço, interagindo com cada uma das projeções em simultâneo, criando assim um trabalho material: duas metades espelhadas que depois serão reunidas?
A interacção das duas performances terá um intervalo de alguns minutos, o atraso inevitável da transmissão, de modo que é como se os dois artistas vivessem em duas dimensões paralelas. Duas dimensões que se cruzam graças a uma providencial fratura cósmica na construção perfeita do espaço e do tempo, enquanto o avião da virtualidade e da realidade se misturam, se misturam e se sobrepõem, ao ponto em que não se será mais capaz de entender se primeiro nasceu a galinha ou o ovo.
(in folheto Line Up Action 2012 - Extension #03).

"EX-KEY ACTION", performance de António Azenha e Francesca Fini

A realização do festival FONLAD naquele espaço foi outra das mais valias centrada em dois grandes momentos: as performances "Golden Age" de Francesca Fini (em 27 Abril 2013) e Essere Aria com Lynn vargas e Mario Gutiérrez Cru (a 11 de Maio 2013). A ambiência registada nestes eventos é bem retratada na crónica de um espectador que a descreve como uma "noite de máscaras e silêncios".

 Francesca Fini                                                                        Essere Aria

Para além das actividades centradas na performance e no multimédia, devo também realçar duas exposições que pela sua qualidade e sucesso de público, muito contribuiram para afirmar o projecto na cidade de Coimbra: "Toys Re-Play" de António Azenha (Janeiro / Fevereiro 2013) e "We Are Familly" (Fevereiro / Março 2013) de Jorge Simões.

António Azenha                                                                  Jorge Simões

ESPAÇO ARTES MULTIMÉDIA E PERFORMANCE
19 Outubro 2012 a 29 Setembro 2013

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

FONLAD - 10 ANOS EM PROMOÇÃO DA ARTE DIGITAL


O Festival Fonlad surgiu em 2005 como um projecto artístico. Este projecto vinha na linha de uma série de projectos de colaboração que venho desenvolvendo desde 2005 (dos quais Fonlad é precisamente o primeiro).
Outros projectos na mesma linha são as exposições temporárias do UAVM – Museu Virtual do Artista Desconhecido, 2008 <www.uavm.net>, o Fake Festival, 2011 a Non Bienalle, 2012/14 ou a Web Video Biennial, 2014.
Todos estes projectos assumem-se como Web Art Colaboration Projects, modelo que se identifica com as mais puras formas da arte digital; ou seja, são especificamente construídas para modelos digitais, nomeadamente para a internet, e fundamentam-se na participação de outros artistas na construção do projecto.
O Festival Fonlad na sua essência é um projecto artístico que assenta na colaboração entre artistas – que disponibilizam a sua obra a ser integrada no projecto – e entre festivais – que disponibilizam as obras dos seus artistas a integrarem o projecto.
Enquanto projecto artístico – construído em parceria com outros artistas – promove e divulga os trabalhos dos artistas participantes. Uma espécie de mosaico de monitores à Nam June Paik onde em cada monitor se apresenta uma obra diferente.
Neste contexto o trabalho do artista é o de uma espécie de mestre de orquestra, que faz tocar cada instrumento no momento preciso, compondo a obra global. O seu trabalho pode ser confundido com o de comissário, mas a substância é bem diferente, pois aquilo que se pretende obter não é um simples festival ou exposição, mas a construção partilhada de um projecto artístico. 
Durante as primeiras edições, o projecto foi construído essencialmente para a internet, com pequenos apontamentos fora dela: em 2005 uma mostra de vídeo num espaço em Madrid, em 2006, 2007 e 2008 uma exposição num espaço alternativo.
Em 2009 iniciam-se as colaborações com outros festivais. Aqui o nível de colaboração intensifica-se e cresce exponencialmente. Em certa medida perde a essência de obra de arte passando a assumir-se mais como festival que como obra de arte. O crescente nº de participantes leva à criação de uma equipa curatorial para seleccionar os trabalhos, envolvendo curadores de outros festivais parceiros.
A partir de 2009 multiplicam-se os eventos passando estes a ultrapassar em numero os realizados com a comunidade virtual. No entanto, em termos de participação de públicos, o virtual ultrapassa em mais de 90% o nº de públicos das mostras e das exposições.
Ou seja, apesar do aumento do numero de actividades no espaço público fora da internet, é precisamente neste meio que o festival continua a ter mais impacto, precisamente pela sua essência, que nunca abandonou, e na qual toda a sua estrutura e iniciativa é apoiada.
É precisamente a partir de 2009 que o festival passa a integrar outras áreas de intervenção, como residências artísticas, workshops, palestras e conferências, instalações, evoluindo para o modelo actual centrado na video arte e na performance.

 Fonlad #02, Fundação Bissaya Barreto, Coimbra

Fonlad #05, MIDAC, Belforte del Chienti, Itália
1 - 30 Agosto 2009

Fonlad #05 - Digital Landscapes, TMG, Guarda
 14 Nov. 2009 a 3 Jan. 2010

Fonlad #08 - Videomapping Coimbra 2012
 Circulo Cultura Portuguesa - Convento Stª Clara a nova, Coimbra
22 Junho 2012

Fonlad #10 - Essere Aria, Of. Municipal do Teatro
12 Julho 2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

AAA ARCA-EUAC

Em 4 de Setembro 2004 inaugurava a segunda grande exposição da Associação dos Antigos Alunos da ARCA-EUAC. Sob este pretexto recordo aqui algumas actividades realizadas por aquela associação.


Em 23 de Outubro de 2003 foi constituída legalmente a associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac.

António Azenha e Quelhas Vieira, no evento 41, que realizei em Maio de 2003, no meu atelier em Coimbra, endereçaram-me o convite o qual acabaria por aceitar.

A Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac realizou entre 2004 e 2008 cerca de 39 eventos nos quais participaram cerca de 274 artistas (entre os quais 42 da associação).
De entre os vários eventos realizados por esta associação destacam-se: o evento Cenografias no Quarteirão das Artes, em Montemor-o-Velho (10 Julho a 15 Agosto 2004),  a Colectiva AAA #02 na Sala Guadalquivir, em Sevilha  (4 a 15 Setembro 2004), o projecto Rota das Artes 2005-06  (vários locais da zona centro), a exposição Catarina de Bragança – Imagens Contemporâneas, em Lisboa e Arcos de Valdevez (Março – Dezembro 2005), a exposiçã

o Convergências em Madrid (22 Outubro a 15 Novembro 2005), a instalação Ant’s Hill, a New Renewall, na Fundação Bissaya Barreto em Coimbra (2 a 26 Junho 06) e o festival Fonlad (Madrid 2005, Coimbra 2006 e Montemor-o-Velho 2007).

O evento Cenografias, realizado no Quarteirão das Artes em Montemor-o-Velho entre 10 de Julho e 15 de Agosto 2004, surgiu sobre a forma de um encontro de artistas: realizado entre 1 de Maio e 4 de Julho envolveu 9 artistas da associação e 4 convidados (3 dos quais de Sevilha). Durante os encontros alguns artistas construíram in loco a suas peças.
Artistas participantes: Ândrea Inocêncio, Antonino Neves, António Azenha, Carlos Resende, Joana Soberano, João Antunes, José Vieira, Paula Barreto, Paulo Corte Real, Rui Rodrigues, Anabel Cuevas Jurado, Mar Aguilar, Rocio Aguilar Nuevo.

"Cenografias", Quarteirão das Artes, Montemor-o-Velho, 2004

Partindo desta exposição, começou a idealizar-se a realização de duas outras em Espanha: a Colectiva AAA_#2, em Sevilha, tendo por base um protocolo com os artistas de Sevilha participantes na exposição anterior, e a exposição Convergências, em Madrid, com base num protocolo estabelecido entre a Cooperativa Teatro dos Castelos, a AAA e a associação Recrearte, de Madrid.
A Colectiva em Sevilha partiu de um encontro entre estudantes de universitários da EUAC e da Universidade de Sevilha, que de forma não formal, não académica, desenvolveriam um protocolo de intercâmbio,  iniciado com a exposição em Montemor-o-Velho com a participação de três artistas, doutorandas na faculdade de belas artes de Sevilha.
A exposição foi realizada na Sala Guadalquivir, em Sevilha, entre 4 e 15 de Setembro de 2004. Participaram os artistas Ândrea Inocêncio, António Azenha, Carlos Resende, Joana Soberano, João Antunes, José Fonte, José Vieira, Márcio Costa, Paulo Corte Real e Quelhas Vieira.


"Colectiva AAA_#2", Sala Guadalquivir, Sevilha, 2004

A exposição Convergências, teve por base um protocolo entre artistas portugueses e espanhóis e duas exposições: a primeira Reflexiones, pelos artistas oriundos de Madrid, teve lugar no Quarteirão das Artes, em Montemor-o-Velho, entre 31 de Julho e 9 de Outubro de 2005. A segunda, pelos artistas da associação, na galeria Tesauro, em Madrid, entre 22 de Outubro e 15 de Novembro 2005. Participantes: Antonino Neves, António Azenha, Benvinda Araújo, Cláudia Torres,  Hilda Baptista, Inês Manta, Jorge Nogueira, José Vieira, Paulo Corte real, Sandra Ferreira, Teresa Bravo.

La Associacion de los Antiguos Alumnos de Arca-Euac es formada por artistas de variadas formaciones académicas, indo desde la pintura, el disegno gráfico, la escultura e la ceramica asta la arquitectura.
La presente exposicion en Recrearte, "Convergências" presenta una multitud estetica onde se procura una convergência asta lo contemporâneo. El paisage, la naturaleza, lo tecnológico, lo imaginário; multiplas temáticas que, embaraçadas como nudos en cuerdas volantes, luchan contra el viento. Muchas estórias encenadas en multiplos escenários presentan el palco de la vida e de la imaginacion (Isabel Marin in texto de apresentação no folheto da exposição).

"Convergências", Galeria Recrearte, Madrid, 2005



Após as primeiras exposições, começou a tomar forma um dos projectos mais emblemáticos da associação: o projecto Rota das Artes.

O projecto Rota das Artes realizou-se em duas edições entre 2005 e 2006, envolvendo cerca de 20 artistas (10 por edição) , 11 exposições nas quais se apresentaram 50 obras e 11 ateliers envolvendo 72 crianças que produziram 11 telas.

O projecto foi concebido como uma exposição itinerante que circulou por Coimbra, Cantanhede, Penela, Ansião, Figueiró-dos-Vinhos e Guarda (apenas em 2005) com o objectivo de promover e reflectir sobre o património de cada concelho envolvido. Neste sentido, alguns artistas produziram obras específicas para cada um dos locais onde a exposição se concretizou, envolvendo pintura, desenho, vídeo, escultura, instalação e performance.

Sendo a Associação AAA em grande parte formada por artistas / professores que dividem a sua actividade entre a educação artística e o fazer artístico, seria quase inevitável que este projecto tivesse uma intervenção pedagógica junto das populações. Assim uma das actividades que maior expectativa e empenho gerou junto das comunidades envolvidas, foi a criação conjunta de artistas e crianças do 1º ciclo de uma tela alusiva a cada concelho visitado. Estamos certos que esta actividade abriu novos horizontes àqueles que participaram (crianças, pais, professores e educadores) não só quanto à forma como se olha a arte, como também no que se refere à sua produção, criatividade e sentido critico.
A Rota em si foi uma aventura extremamente interessante e enriquecedora, visto termos contactado com pessoas de diferentes formações e convicções tendo de certa forma contribuído para a evolução do próprio projecto. Mais, a receptividade e empenho das autarquias foi evidente, pelo que fica aqui, desde já, uma nota de apreço a todos os que voluntariamente colaboraram. (António Azenha in texto de introdução ao livro / catálogo da exposição).

Artistas participantes:
Edição 1, 2005 – 14-44, Alexandre Mestre, Antonino Neves, António Azenha, Carlos Resende, Joana Soberano, João Antunes, José Fonte, José Vieira, Quelhas Vieira
Edição 2, 2006 - António Azenha, Ardini, Benvinda Araújo, Carlos Resende, Fátima Maia, José Vieira, Marta Alves, Paulo Corte Real, Quelhas Vieira, Teresa Bravo

"Rota das Artes", Casa da Cultura, Coimbra, 2005



Catarina de Bragança – Imagens Contemporâneas foi outro projecto de sucesso da associação, com duas exposições: a primeira no Palácio da Bemposta, em Lisboa, entre 31 de Março e 18 Outubro 2005, a segunda, na Galeria Queirosa, em Arcos de Valdevez, entre 1 e 31 Dezembro 2005.
Artistas participantes: Antonino Neves, António Azenha, Benvinda Araújo, Carlos Resende, chuva Vasco, Fernando Lardosa, Filipe Cravo, Joana Soberano, João Antunes, José Fonte, José Vieira, Maria do Céu Falcão, Teresa Bravo, Carla Figueiredo, Catarina Lira Pereira, Marra Santos.

Desde sempre a memória histórica de D. Catarina de Bragança, infanta de Portugal e posterior rainha de Inglaterra, foi uma referência incontornável nos Anais e na História da Academia Militar. Querendo comemorar o tricentenário da sua morte, ao longo do ano de 2005, a Academia Militar propôs-se a encetar uma série de iniciativas culturais, das quais se destacam o lançamento do livro “D. Catarina de Bragança e o Paço da Rainha” e a promoção de uma exposição intitulada “D. Catarina de Bragança – Imagens
Contemporâneas”, a cargo da AAA – Associação dos Antigos Alunos da ARCA-EUAC entre outros acontecimentos culturais de relevo.
De certo modo, o que se pretendeu com o convite endereçado a esta Associação foi lançar um desafio no sentido de se retratarem, de acordo com os novos ditames artísticos, as novas formas plásticas dedicadas à ambiência cultural vivida pela homenageada e à compreensão estética do tempo em que esta rainha viveu. Também o Paço da Bemposta não foi esquecido nestas análises, pois é uma das heranças mais visíveis desta rainha de Inglaterra e a quem pertenceu o palácio onde agora a Academia Militar se encontra instalada. Portanto, feito o convite à Associação, os artistas lançaram mãos à obra e estabeleceram todo um conjunto de debates artísticos com vista à representação dos seus trabalhos, de acordo com os objectivos pretendidos (António Azenha in texto de introdução ao livro / catálogo da exposição).

"Catarina de Bragança - Imagens Contemporâneas", Academia Militar, Lisboa, 2005

Ant’s Hill, a Human Renewall, instalação realizada na Casa Museu da Fundação Bissaya Barreto entre 8 e 26 Junho 2005, foi outro projecto realizado pela Associação na qual participei.
O projecto apresenta-se como uma versão contemporânea do Portugal dos Pequenitos, em Coimbra (propriedade da referida Fundação): um formigueiro gigante onde as formigas brincam umas com as outras, vêm televisão, dormem nas nuvens… Uma instalação pensada para os mais pequenitos, integrando um conjunto de telas pintadas por crianças de idades compreendidas entre os seis e os doze anos, a par com as obras dos artistas, onde apresentaram o seu próprio imaginário do mundo das formigas. Prática levada já acabo no seio do projecto Rota das Artes, onde se apresentavam visões de uma realidade por olhos diferentes, neste caso da criança e do adulto, e se confrontam sob uma forma expositiva.
O projecto constava de um formigueiro gigante no qual foram construídos casulos no seu interior revelando o mundo contemporâneo sob os olhos do artista, numa analogia ao  mundo da formiga.
A estrutura do formigueiro foi construída por João Antunes e Fernando Lardosa, os casulos no interior por Antonino Neves, António Azenha e José Vieira.

"Ant's Hill", Fundação Bissaya Barreto, 2005

Finalmente, um projecto que ainda se realiza, e que teve nesta associação o seu berço: o Festival Fonlad <www.fonlad.net>

A arte do séc. XXI encaminha-se vertiginosamente para uma forma digital onde o suporte deixou de ser o real: a forma e o suporte colidem, as fronteiras entre arte e tecnologia fundem-se, as barreiras dissociam-se em novas formas de expressão. Associadas a estas novas formas artísticas, novas formas de divulgação nascem, passando seguramente pela internet, nas suas formas de web arte e e-mail arte.
É nestas novas formas de arte que a Associação dos Antigos Alunos da Arca-Euac pretende desenvolver alguma investigação.
Propôs-se, assim, realizar um festival de artes digitais exclusivamente para o meio internet, desafiando os seus associados, amigos e amantes da arte digital, a apresentar propostas de arte digital, nas formas de web arte e email arte. Desta forma, pretende desenvolver alguma reflexão sobre as novas formas de expressão artística, associadas às novas tecnologias de comunicação, com especial ênfase para a internet (in Projecto Fonlad 2005).

A Associação esteve envolvida na organização e produção do festival Fonlad entre 2005 e 2009 (os últimos 2 anos já em parceria com a associação IC Zero e a Cooperativa Teatro dos Castelos). Durante este período, participaram no festival mais de 200 artistas, mais de 3000 pessoas como público, com mais de 20.000 visitas ao site na internet. Durante estes 5 anos foram realizadas 8 exposições (4 apenas em 2009) e 7 on line. Entre as exposições realizadas destaque para a exposição na Fundação Bissaya Barreto, em 2006; no MIDAC – Museu nternacional Dinâmico de Arte Contemporânea, em Belforte del Chienti, Itália (2009) e na Galeria de Arte do TMG, Guarda, também em 2009. Apesar de, com o tempo, o Festival se ter tornado na espinha dorsal da associação, especialmente a partir de 2007, ano em que a associação começa a definhar, os associados nunca tiveram um verdadeiro interesse na realização do festival, no qual participaram, no conjunto dos 5 anos em que a associação esteve envolvida na sua produção, apenas 6 dos seus artistas.
Neste sentido foi natural a transição do festival para uma outra associação, mais vocacionada para a produção fotográfica, a associação IC Zero, a partir de 2008.

"Fonlad 2006", Fundação Bissaya Barreto, 2006

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

TERRA DELL ARTE


A minha colaboração com a Terra dell Arte, associação internacional liderada por Alfonso Caputo (Itália) e Laura Castanedo (México) remonta já ao longínquo ano de 2005, ano em que participei na Bienal de Arad, que se realizou em vários espaços da cidade de Arad na Roménia, entre 20 e 29 de Maio 2005. Outros eventos se lhe seguiram, como por exemplo o projecto Ars Latina, que se realizou em Macerata, Itália (Setembro de 2006), Castellon, Espanha (26 Setembro a 13 Outubro 2007), Mexicalli, México (22 de Junho a 31 Agosto 2007), Havana, Cuba (14 Julho a 31 Agosto 2009), San Pancho, México (14 Agosto a 1 Outubro 2010) e as colectivas Terra del Arte – Tierra de Artistas, em Tecate, México (23 Agosto / 23 Novembro 2013). Destaque igualmente para as colaborações com a Associação IC Zero (exposição de Alfonso Caputo na GaleriaÍcone, em Coimbra (12 Junho a 26 Julho 2009), a exposição Ventipertrenta, no Quarteirão das Artes em Montemor-o-Velho (9 a 29 Maio 2009) e na Casa da Esquina, em Coimbra (3 Junho a 26 Julho 2009) e as exposições “Fonlad Collection” e “No More Trade Mark Artists”– instalações no MIDAC do Festival Fonlad e da minha autoria, respectivamente, entre 1 e 30 Agosto 2009) e a Cooperativa Teatro dos Castelos: residência de 29 Maio a 6 Junho 2010, em Montemor-o-Velho, de Alfonso Caputo, Simona Muscolini, Francesco Millizia, Sérgio Toledo, Oscar Ferranti, e de Bruno Matos, Jorge Valente, José Vieira, Maria do Mar, Benvinda Araújo, Elisa Pinto, José Luís Gomes, no MIDAC, em Belforte del Chienti, Itália, entre 1 e 15 Agosto 2010. Foi ainda realizado o Projecto Viajante, em colaboração com a Bienal do Porto Santo, que envolveu uma uma exposição itinerante co-comissariada por Alfonso Caputo e José Vieira, a qual foi apresentada em Montemor-o-Velho (21 Maio a 12 Junho 2011), Lisboa (29 Julho a 7 Agosto 2011) e Belforte del Chienti 13 a 28 Agosto 2011) e ainda duas intervenções: um workshop de construção de barcos de papel (que depois foram atirados ao mar) com Eunice Artur e Jorge Valente, em Porto Santo (6 Agosto 2011), e uma intervenção de Eunice Artur na Praça de Belforte del Chienti (13 Agosto 2011).
Na exposição participaram os artistas Alberto Cespi (It), António Jorge (Pt), Antonino Neves (Pt), Benvinda Araújo (Pt), Doriana Capenti (It), Eunice Artur (Pt), Jorge Simões (Pt), José Higino (Pt), José Vieira (Pt), Paola Fascia (It) e Paulo Corte real (Pt).
Mais informação: www.terradellarte.net


Ventipertrenta, Quarteirão das Artes, 2009


Projecto Viajante, Rosa dos Ventos, Montemor-o-Velho, 2011
 Projecto Viajante, Espaço Cultural das Mercês, Lisboa, 2011

Projecto Viajante, Palácio dei Bonfranchesi, Belforte del chienti, 2011
Intervenção na Bienal do Porto Santo, 6 Agosto 2011

sábado, 26 de julho de 2014

ANARSCRIPTA, 1984


O projecto “Anarscripta” surgiu no início de 84 numa consequência do trabalho que vinha a desenvolver desde 82 e que assume neste projecto a sua fase mais evoluída (a “Fase de desenho a Preto e Branco”).
Em colaboração com um grupo de amigos, publicamos em fotocópia um conjunto de textos em torno de uma espécie de “Colectividade Absurda”, com edição de dois números e um nº zero de lançamento. A criação deste projecto corresponde definitivamente como a minha estreia no meio artístico guardense, num período que antecedeu a minha ida para Coimbra em 87.
O projecto “Anarscripta” teve o seu lançamento  em Abril 84, através da publicação de dois textos da minha autoria, embrulhados em papel de jornal (o nº zero – “Jornal-Eco”). Seguir-se-lhe-ia o nº 1 – “Colectividade Absurda”, em Junho 84, em duas edições, com textos da minha autoria, Carlos Adaixo, Maria Carreto, Luís Castro e Ana Paula Barreto. O projecto terminaria em Julho com a edição de um nº 2 – “Histórias de uma Retrete Bicentina” em Julho 84. Grande parte do grupo ausentar-se-ia da Guarda no ano seguinte pelo que o projecto não teve seguimento.
Visto à distancia de 30 anos, mais do que uma tentativa de afirmação artística de um colectivo, o “Anarscripta” foi para mim o apogeu de uma fase na qual a influência do desenho de cariz surrealista era evidente, na sua contestação social e inconformismo.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

JORNADAS DE ARTE CONTEMPORÂNEA 93-96

As “Jornadas de Arte Contemporânea da Lousã” surgiram em 1993, organizadas numa parceria entre a Câmara da Lousã, o Museu Álvaro Viana de Lemos (que acolheu as exposições), as escolas da vila (que acolheram palestras e workshops) e a Biblioteca (exposições e palestras) que decorreram entre 1993 e 1996. Nas jornadas estiveram envolvidos mais 500 alunos, os quais participaram nas cerca de 30 actividades das Jornadas ao longo dos seus quatro anos de duração.
Nos dois primeiros anos o projecto centrou-se nas escolas Secundária e EB 2,3 que, apesar de procurarem corresponder ao programa e objectivos do projecto, não conseguiram dar resposta adequada à programação dos ateliers, palestras e visionamento de filmes. Dificuldades de organização e mobilização do público escolar fora do contexto de sala de aula, levou a organização do projecto a centrar-se no formato apenas expositivo, quer no Museu Álvaro Viana de Lemos, quer na Biblioteca, nos dois últimos anos em que as Jornadas se realizaram.


Destaques:

JACL 93

De Manet a Picasso / De Kandinsky a Pollock, palestra por José Vieira
Esc. Sec. da Lousã, 7 Junho 1993
 
Instalações, exposição com José Vieira, Quelhas Vieira, Inês Manta e Joaquim Silva
Museu Álvaro Viana de Lemos, 11 a 23 Junho 1993

JACL 94

Andy Warhol e o Mundo Contemporâneo, palestra performativa por José Vieira
Esc. Sec. da Lousã, 14 de Junho 1994


Paisagens Contemporâneas, de Quelhas Vieira, Inês Manta, Cristina Cortez
Museu Álvaro Viana de Lemos, 16 a 30 Junho 1994

Uma Paisagem na Serra, exposição concurso de alunos das escolas secundária e EB 2,3
Átrio da Biblioteca Municipal, 1 a 17 Julho 1994

Paisagens Serranas de José Vieira
Museu Álvaro Viana de Lemos, 1 a 17 Julho 1994

JACL 95

Exposição de pintura de alunos da ARCA-EUAC
Museu Álvaro Viana de Lemos, 16 Maio a 4 Junho 1995

Pinturas Informais, por alunos da Esc. Sec. Lousã
Esc. Sec. Lousã, 7 a 25 Junho 1995

Video Instalação, por alunos da Esc. Sec. Lousã
Esc. Sec. Lousã, 19 a 22 Junho 1995
 
JACL 96

1º Salão de Arte Juvenil, exposição de trabalhos de alunos das escolas EB 2,3 da Lousã, Esc. Sec. Lousã, Esc. C+S Miranda do Corvo, Esc. Sec. Montemor-o-Velho
Museu Álvaro Viana de Lemos, 17 a 31 Maio 1996

1ª Prof-Arte
Biblioteca Municipal da Lousã, 17 a 31 Maio 1996


Instalações, JACL 93

quarta-feira, 9 de julho de 2014

20 ANOS DE COMISSARIADO

Nesta data resolvi criar um blog, para memória futura, sobre os projectos que comissariei ao longos dos últimos 20 anos. Percorri uma longa estrada, desde esse primeiro projecto ao qual chamei "Jornadas de Arte Contemporânea" e que organizei na Lousã entre 1993 e 1996.
Este primeiro projecto - já algo distante na minha memória - ressurge-me agora com alguma nostalgia: tratou-se de um projecto que realizei em parceria com a Câmara da Lousã, e que tinha como objectivo principal o de dar a conhecer a arte contemporânea a uma região pouca habituada a ver arte e a visitar os seus espaços patrimoniais.
O projecto piloto partiu da Escola Secundária da Lousã, escola na qual eu havia sido colocado como professor de Educação Visual em 1992/93. Este primeiro projecto definiu o formato dos eventos futuros: exposições acompanhadas de workshops, performances e palestras.